Arquivo para Maio 1st, 2009

Top Gear Reviews em Português: Hyundai i20

Se vier para o Brasil, dará muita dor de cabeça aos compactos nacionais.

Se vier para o Brasil, dará muita dor de cabeça aos compactos nacionais.

Por Paul Horrell, da revista britânica Top Gear
Traduzido e adaptado por Eder Kambara.

Eu realmente estava esperando pelo i20. O que seria melhor, nesses dias difíceis, do que um novo carro compacto da Hyundai? O mercado de compactos está quente, com concorrentes “pesados”, inclusive da própria marca, o i30. A Hyundai é dona da Kia e eu não economizei nos elogios ao Soul, mês passado. Não há mais por que se envergonhar dos carros coreanos. Então, o i20 tem que ser muito esperto e astuto, para enfrentar seus fortes adversários.

Mas o caminho entre os preconceitos e as primeiras impressões é bastante complicado. Estacionado em minha rua, onde os novos Fiesta e Ka se mostraram muito cativantes, o i20 se exibiu timidamente. E, por dentro deste modelo básico, é um lugar um pouco deprimente para se ficar.

OK, ele tem ar condicionado, mas os plásticos são baratos e sem graça – a versão Classic não tem costuras vermelhas ou a pintura prateada no centro do console. Uma linha de cor vermelha é mais cara do que uma preta? Oh não, tais regalias estão reservadas somente para a versão Style, duas mil libras mais cara. Como era de se esperar, é este o modelo que a Hyundai escolheu para usar nas suas fotos publicitárias.

Estou motivado por um motor de apenas 1,2 litros. Apesar disso, não estou reclamando. Embora a capacidade seja pequena, o motor é relativamente vivaz, gerando convincentes 77 hp. Ele soa um pouco rude e áspero, e, mais especificamente, o que equipava o modelo testado (talvez por ainda estar duro, não amaciado), não gosta muito de ser levado às altas rotações, mas ele dá conta do recado.

Interior nada ousado, mas contemporâneo e de boa qualidade

Interior nada ousado, mas contemporâneo e de boa qualidade

O i20 tem projeto completamente novo e é feito com bons materiais: chapas de aço de alta resistência explicam a boa rigidez da carroceria, e o fabricante nos diz que fará bonito nos testes do Euro NCAP. Todas as versões têm seis airbags e sistema ESP. E garantia de cinco anos.

O aço bom significa que ele é leve, explicando o bom equilíbrio entre aceleração e consumo de combustível, assim como a boa estabilidade em curvas – embora nunca seja tão divertido quanto um Fiesta. Entretanto, o carro é um pouco molengão: em lombadas e em correntes de ar produzidas por veículos que cruzam pela pista contrária, o i20 sente o baque. A suspensão é firme, mas não regular. O i20 sente bastante as irregularidades da pista, como se fosse uma lata de biscoitos.

Estou dirigindo a versão pé-de-boi, e o modelo de cinco portas custa 8.645 libras. OK, ele é seguro e tem cinco anos de garantia, mas você também quer um pouco de elogios dos vizinhos de garagem como equipamentos de série. Isso você encontra ao virar os olhos para uma concessioária Fiat: as libras derreterão em um Punto, como se fossem neve de Abril, e eu espero que você realmente faça isso, e então acabará comprando um carro maior, melhor aprumado e mais estiloso do que este pequeno Hyundai.

Eu mal posso acreditar que estou escrevendo estas palavras, mas este novo compacto coreano é caro demais.

Top Gear Verdicts em Português: Renault Laguna

O Novo Laguna é estranho. E isso é bom.

O Novo Laguna é estranho. E isso é bom.

Embora nos pareça ser duvidoso o design da mais nova geração do Renault Laguna, na verdade ele é um carro que melhorou bastante, com um chassis bem acertado e uma impressiva sensação de alta qualidade.

Conforto

O Laguna mantém a grande tradição francesa de suavidade e maciez, sem ser molengão. A cabine é também bastante refinada, fazendo com que todo o pacote seja infinitamente mais executivo.

Os materiais empregados são de boa qualidade.

Os materiais empregados são de boa qualidade.

Desempenho

Acelere com os soberbos motores diesel dCi e você não se arrependerá. Em três estágios de configuração, 130, 150 e 175 hp, todos eles oferecem o equilíbrio ideal entre potência e economia.

Cool

Não tenho certeza sobre isso. No momento, o Laguna apenas se parece muito estranho para nós, para ser legal, mas há algo admirável quanto ao fato de o Laguna não ser tão comum quanto um Vectra ou Mondeo, aqui no Reino Unido.

Estilo notchback que convence os adeptos de sedans executivos.

Estilo notchback que convence os adeptos de sedans executivos.

Qualidade

Com um interior bem projetado e montado, o novo Laguna transmite sensações de limpeza e refrescância, e os materiais dão impressão de serem caros. Você também não terá problemas com os motores.

Dirigibilidade

O Laguna é meio confuso quando o assunto é prazer de dirigir. Ao mesmo tempo que a carroceria deixa o carro aderente e solícito, a direção é extremamente leve, o que é suficiente para não nos encorajar a fazer curvas em alta velocidade.

Praticidade

Há uma versão perua ainda mais estranha, se você precisa de mais espaço para bagagem, mas este carro mistura um bom porta-malas de sedan com a comodidade de um hatchback, o que torna prática a tarefa de acomodar as malas.

Custos

Nesse mercado, onde predominam as compras de frotistas e os carros rodam bastante, o Laguna não faz feio na revenda. Para o consumidor comum, o seguro é baixo e os motores a diesel são muito econômicos.

Usado da Vez: Honda Accord

Este é um exemplar da sétima geração, a última antes da recente reestilização.

Este é um exemplar da sétima geração, a última antes da recente reestilização.

Imagine um Civic maior e melhor. Difícil? Para a concorrência, pode até ser, mas, para o Accord, essa tarefa já foi muito bem superada. Pois é essa a reputação do sedan da Honda, isto é, o Accord é um carro bastante confiável e resistente, tal qual seu irmão menor, e ainda oferecendo mais potência e mais espaço.

Em razão dessa boa fama, o Accord já fazia sucesso lá fora, sendo, por exemplo, o carro mais vendido do mercado norte-americano entre 1989 e 1992. Fabricado em Marysville (Ohio), o Accord chegou ao nosso país, por meio de importadores independentes, em 1991, sendo oficialmente importado em 1994. As versões eram a LX e a EX, esta a mais requintada, com faróis de neblina, teto solar, bancos de couro, rodas de liga e motor mais potente (na LX, o 2.2 litros gerava 130 cavalos, enquanto que na EX, 145, graças à tecnologia VTEC).

A quinta geração é a mais barata.

A quinta geração é a mais barata.

Em 1998, surge a sexta geração (a primeira fora lançada em 1976, no Japão). Além de reformas no interior e na carroceria, trazia um motor 2.3 de 135 (LX) e 150 (EX) cavalos. Essa geração duraria até 2001.

As quinta e sexta gerações do Accord são os melhores negócios, em razão do preço acessível: de 13 mil a 24 mil para a quinta geração; de 26 a 40 mil para a sexta. Muitos vêm com câmbio automático, que custa, em média, 1000 reais a mais. E a manutenção não é um tormento, pois, além da rede autorizada, há muitos importadores que trazem peças diretamente dos EUA, local em que os Accord são figura fácil (em 1992, foram 415 mil unidades vendidas).

A sexta geração é um achado: melhorias técnicas a preço acessível.

A sexta geração é um achado: melhorias técnicas a preço acessível.

Ao começar a procurar por um, tenha paciência e encontre um exemplar bem cuidado, pois a diferença do preço de um carro maltratado é pequena e pode não valer a pena, pois, por exemplo, o conserto de um câmbio automático patinando pode custar-lhe R$ 4.000,00.

Se tiver sorte, é possível encontrar donos que fizeram toda a manutenção básica, mesmo após o fim da garantia, na rede autorizada. Esses Accord são raros e valiosos, e nem são tão caros assim.

Preços: de R$ 9.700,00 (1991) a R$ 81.000 (2005). Consulte preços detalhados em www.quatrorodas.com.br ou em www.fipe.org.br

Fique de Olho:

Câmbio automático: veja se não está patinando ou dando trancos. O conserto pode chegar a 4 mil pilas.

Suspensão: fique atento a batidas e socos na parte inferior, que podem denunciar problemas nas buchas de bandeja ou nos amortecedores.

Ar-condicionado: ligou e ainda está quente? Talvez haja vazamentos nas mangueiras ou problemas no compressor, coisas comuns nos Accord de segunda (ou terceira) mão.

Injeção eletrônica: por ser a gasolina brasileira de qualidade inferior, os carros importados independentemente (ou seja, não “tropicalizados”) tinham grandes transtornos, por problemas na sonda lambda. Como o conserto era caro, muitos proprietários desligavam ou simplesmente arrancavam a lâmpada de checagem da injeção. Porém, a máxima “o que os olhos não vêem, o coração não sente” é furada. Instabilidade em marcha lenta e cortes repentinos e momentâneos da injeção são efeitos que permanecem.

Referências: Revista Quatro Rodas – Agosto de 2006


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Sobre o autor

Eder Kambara é apaixonado por carros. Através do Fórum Automotivo, o autor deseja mostrar, em bom português, as opiniões do melhor programa mundial sobre automóveis: o TopGear. E também tem a modesta pretensão de expor suas próprias opiniões. Fale com o autor: ederkambara@yahoo.com.br

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