Arquivo para Novembro 11th, 2009

Top Gear Reviews em Português: Novo Citroën C3

novo citroen c3 dianteira

Mais redondo e um pouco careca. E na verdade, ele rejuvenesceu.

Por Tom Ford, da revista britânica Top Gear
Traduzido e adaptado por Eder Kambara

Ler as especificações do novo Citroën C3 é tão satisfatório quanto ver flores murcharem por sobre o túmulo do seu tão amado bichinho de estimação. Eu sei, porque acabei de fazer isso. Deixe-me compartilhá-las com você. Basicamente, o novo C3 é um pequeno hatchback da Citroën com uma linha de motores de quatro cilindros, que vai desde o 1.1 litro a gasolina de 61 cavalos, passa por um par de 1.4s que produzem 75 ou 95 cavalos, até um 1.6 VTi de 120 hp, roubado do Mini. Os motores a diesel são de 1.4 ou 1.6 litro, e você pode ter 70, 90 ou 110 hp.

A faixa de preços parte das 10.800 libras para a versão básica 1.1 VT, e chegam a 16.200 libras para a versão topo de linha Exclusive, com o motor 1.6 Hdi, de 110 hp. Aí está, já fiz meu trabalho informativo, agora vá e faça algo mais interessante, como prender o dedo numa porta.

novo citroen c3 traseira

Maior, mais moderno e mais bonito.

Mas espera lá. Pode até ser que não haja uma grande idéia tecnológica, ou que o chassis não seja assim tão bom e esportivo, mas o novo C3 é, de fato, muito bom, quando você se depara com ele pessoalmente. Verdade.

A primeira impressão é que, pelo menos por fora, a Citroën acertou em cheio. O novo C3 é mais artístico do que o anterior, com um estilo parecido com o do C3 Picasso, e menos linhas enfadonhas. Não é surpreendente, mas é limpo e de caráter. Ele faz com que o Polo se pareça bobo, e o Fiesta, um venerador do Focus.

Como seria de se esperar, o carro fica melhor com uma cor clara e com rodas de 17 polegadas. Vá dos azuis cintilantes e dos verdes brilhantes, para os pretos e cinzas nas versões mais espartanas, e o C3 começa a ficar escondido na obscuridade.

Há um equilíbrio entre ser original e estranho. A dianteira foi bem desenhada, tendo até rastros de DS3 e GT nas reentrâncias em cada lado do para-choque. Os faróis têm a meia-luz composta por LEDs, e as lanternas traseiras são pequenos bumerangues que complementam as linhas curvas. Tudo é muito bem detalhado, limpo e coerente. Fazem do C3 antigo parecer antigo. E, se formos mais exigentes, parecer barato.

Há também outros detalhes: parece que o C3 está ficando careca. O novo para-brisa panorâmico invade o teto, e dá a impressão de que o C3 tem uma testa grande. É equipamento de série em todas as versões, exceto na mais barata, e proporciona uma visão muito estranha da dianteira. Além disso, o carro também é esquisito de perfil: a coluna A desce em curva e encontra-se com a parte posterior logo após do capô, parecendo que está quebrada. Porém, no geral, o carro é bem agradável. Redondo. Inofensivo. Alguns o acharão gentilmente esquisito.

O interior não é tão arrojado quanto o exterior, mas, pelo menos, o C3 dá a sensação de solidez e boa montagem. É imperioso dizer que, no lançamento do primeiro C3, a tampa do porta-luvas caiu quando eu a abri e, após ter passado por duas rotatórias, o mostrador digital no alto do console simplesmente pulou pra fora, deixando um buraco.

novo citroen c3 interior

Ú-lá-lá!

Mas a Citroën, hoje em dia, faz bons carros, e agora nós temos um painel em forma de T, um console central simples e funcional e muitos detalhes. Os quase ilegíveis mostradores digitais deram lugar a um conjunto analógico, que são bem mais classudos. Muito melhor, tudo flutua suavemente de um lugar para outro, desde o fosco topo do painel, do plástico grafite do console e dos painéis das portas, nada parece estar solto, molenga, perdido. As cores são suaves e discretas, com breves flashes de cromo, para avivar as coisas.

Os assentos são confortáveis, largos e facilmente ajustáveis, e o para-brisa é um encanto. A luz natural entra sem cerimônia na cabine, e o interior fica claro, mesmo em dias nublados. A única coisa que desfaz a ilusão de estarmos em um conversível, é a visão do retrovisor, que fica ilhado no meio de tanto vidro. Num carro compacto, a sensação de espaço é sempre bem-vinda. O carro não é gigante na parte de trás, embora o espaço para as pernas tenha crescido em 30 mm, entretanto, o grande para-brisa deixa os assentos traseiros menos opressores do que em muitos outros compactos do mercado.

novo citroen c3 interior dianteiro

O espaço aumentou na frente.

novo citroen c3 interior traseiro

E atrás também. Só não espere milagres.

Dirigi-lo proporciona mais do que o de costume. O carro é silenciosamente bom, melhorado, bem projetado. Testamos a versão 1.6 HDi de 90 hp e transmissão manual de cinco marchas, e não há nada de errado com eles. Forte e ágil, mesmo em baixas rotações, devido ao bom torque de 158 lb/ft, excepcionalmente silencioso, fácil de usar. Ele pode até não ser o mais vívido dos motores, mas certamente você não se sentirá impotente, mesmo com aceleração de 0 a 100 km/h em 11 segundos, e velocidade máxima de 111 mph.

O câmbio e a embreagem são leves, calmos e fáceis, mas um tanto imprecisos – nada que vá te incomodar tanto. A direção é apurada e o rodar é muito bom. As ruas no entorno de Roma, local em que testamos o carro, não são tapetes de asfalto, e o C3 permaneceu sólido e quieto por sobre os paralelepípedos, buracos e imperfeições das extremidades.

Você não ficará surpreso em ouvir que o C3 não é muito esportivo e reativo, pois uma saída leve de frente será a única coisa que conseguirá provocar no carro, caso começar a ficar mais agitado ao volante. Mas o pequeno Citroën é perfeito em quase todas as situações. Divertido? Não, não mesmo. Mas a direção é boa, os freios, idem, e ele lida com as lombadas como ninguém. Está mais do que bom. Isso quer dizer que, no todo, tem-se um pequeno Citroën de boa aparência, faz tudo muito bem e desnecessita de ulteriores explicações ou desculpas; este é um ótimo carro, bastante melhorado em relação ao C3 anterior, e é exatamente aquilo que a marca francesa precisa.

Mas isso soa um pouco sarcástico, não? Eu não acredito que o departamento de marketing da Citroën irá criar o seguinte slogan: “Citröen: não é mais a bosta que costumava ser”. Mas o C3 precisa atrair os clientes conservadores que acharam o conceito DS3 muito “pra frentex” demais. O Ford Fiesta é, indubitavelmente, o melhor carro para se dirigir, e o VW Polo, o mais austero e conservador, mas há espaço no mercado para o C3, onde aqueles dois não conseguiram conquistar clientes.Apesar da falta de um bom argumento de vendas para o C3, ele parece ter criado um nicho de mercado só para si. Não é um carro voltado para o motorista, mas, se estiver procurando por algo que supra o básico, e que tenha um pouco de caráter distinto, o C3 lhe coloca um pequeno sorriso de satisfação na cara.

What Car? Reviews em Português: BMW Série 5 GT

bmw serie 5 gt dianteira

Hummmm... não sei não... será que é bonito mesmo?

Fonte: www.whatcar.com

NA ESTRADA

Desempenho
4 estrelas

O modelo está disponível (na Europa) em três motorizações: 3.0 diesel, 4.4 V8 twin-turbo e 3.0 seis cilindros a gasolina. Todos eles são servidos de uma transmissão automática de oito velocidades, e nenhum deles é um mau negócio – sua escolha dependerá somente do tamanho do seu bolso.

bmw serie 5 gt lateral 1

Sedan, hatch, coupé, perua... junte tudo e misture.

Rodar e Dirigibilidade
2 estrelas

A dirigibilidade do GT não é tão justa e conectada quanto ao que podemos esperar de um BMW. A direção é um tanto lenta e leve, a carroceria rola demais nas curvas, e sente bastante as lombadas. O rodar é um problema, pois sente cada vibração mesmo nas mais suaves superfícies, e transmite totalmente a pancada, quando passa por buracos. Nada bom, para um Grand Tourer.

bmw serie 5 gt lateral 2

Linhas bem germânicas, bem bávaras, bem BMW.

Refinamento
3 estrelas

O motor diesel de 3 litros, o qual será o mais procurado por maioria dos compradores, é a última palavra em força e suavidade. Ele trabalha maravilhosamente, em conjunto com a transmissão automática de oito marchas. Os motores a gasolina são também muito bons, porém, tanto o diesel quanto os a gasolina, são audíveis do interior da cabine. Há certa quantidade de ruído do vento através das colunas dianteiras, e há muito ruído do rodar e da suspensão, para um carro que se propõe a ser um Grand Tourer.

bmw serie 5 gt interior

Luxo equiparável ao Série 7.

VIDA DO MOTORISTA

Custos
4 estrelas

O GT tem preço comparável ao do X5, o maior SUV da BMW, mas não ache que a montadora está sendo gananciosa, pois o carro tem muito luxo. Os custos de manutenção para a versão 3.0 não é exagerada, mas, por ainda ser uma novidade, é provável que a sua desvalorização seja maior do que os demais modelos da marca bávara, embora esse valor seja comparável aos sedans da Série 5.

Qualidade e Durabilidade
4 estrelas

Não dá para criticar o modo pelo qual o carro foi montado, nem os materiais que a BMW escolheu para o acabamento. Ele é tão luxuoso quanto um Série 7, porém com um estilo distintivo e mais arrojado. As estatísticas de durabilidade da marca são boas. Há muitos dispositivos eletrônicos e elétricos complexos no GT, então, há bastante probabilidade de eventuais panes.

Segurança
5 estrelas

O carro não tem airbags para os joelhos, ou traseiros – afinal, você nunca precisará deles um dia -, mas os sistemas de segurança ativos colocam você dentro de uma impenetrável bolha de proteção. Os sistemas anti-furto da BMW já são conhecidos e aprovados.

VIDA NA CABINE

Habitáculo
3 estrelas

A posição de dirigir é mais alta do que a média, e os assentos são totalmente ajustáveis e muito ergonômicos. O teto panorâmico de vidro, que vem de série, permite a entrada da luz solar e ilumina a cabine. Infelizmente, a visão traseira é horrível, devido às intrusivas colunas traseiras e ao desenho da porta traseira. O freio eletrônico de estacionamento é desnecessariamente mimado.

bmw serie 5 gt interior dianteiro

Espaçoso na frente.

Espaço e Praticidade
3 estrelas

Atrás, pode-se optar por um banco inteiriço ou dois assentos individuais. Em ambos os casos, os bancos são rebatíveis, reclináveis e ajustáveis, oferecendo espaço de Série 7 para as pernas, e espaço de X5 para a cabeça. No entanto, o espaço para o terceiro ocupante, na versão inteiriça, é estreita demais. O porta-malas é desapontantemente pequeno, e a porta traseira de duas funções não ajuda muito. Ainda, os assentos não se rebatem completamente no piso do carro.

bmw serie 5 gt interior traseiro

Mas atrás, o terceiro passageiro sofrerá.

Equipamentos
4 estrelas

Há duas opções de acabamento, ambas com o propósito de oferecer um produto que fique no limite entre um carro executivo e uma limusine, mas isso é só o começo. Os opcionais fazem lista quilométrica, e inclui tudo aquilo que a BMW oferece em seu topo de linha Série 7. O primeiro equipamento que escolheríamos colocar seria o display HUD, que, entre outras coisas, mostra no parabrisa as instruções do navegador GPS.

bmw serie 5 gt interior porta-malas

O porta-malas é pequeno, para o tamanho do carro.

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Sobre o autor

Eder Kambara é apaixonado por carros. Através do Fórum Automotivo, o autor deseja mostrar, em bom português, as opiniões do melhor programa mundial sobre automóveis: o TopGear. E também tem a modesta pretensão de expor suas próprias opiniões. Fale com o autor: ederkambara@yahoo.com.br

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