Nova Hilux SW4 4.0 V6

A SW4 com motor V6 está mais suave, mais confortável e mais potente. Será que está tão boa quanto suas rivais?

Por Eder Kambara.

Lançada no começo de 2009, a Nova Hilux SW4 4.0 V6 estreou seu novo motor vvt-i a gasolina, de 4 litros e 238 cavalos de potência, para agradar motoristas que prezam pela suavidade e progressividade no rodar. Mas somente agora que pude ver e sentir, de perto, as características deste grande SUV, e aqui estou a compartilhar as minhas impressões.

Por fora, mudanças sutis no design, porém notáveis. Na frente, destacam-se os novos e belos faróis de bloco elíptico, e a nova grade, mais requintada e robusta. O para-choque manteve-se inalterado. Nesta versão V6, não há a entrada de ar no capô, disponível apenas na versão diesel. Na traseira, a única mudança foi a das lanternas, que agora estão proeminentes e com nova disposição dos elementos. E a lateral (de desenho muito espartano) não sofreu alterações.

Nova frente. Lateral velha.

Lanternas proeminentes. Bom gosto, mas sem sal.

Abro a porta e percebo o bom (mas não excepcional) capricho de montagem da Toyota. A maçaneta se comporta fina e precisamente. Fecho-a num agradável som abafado, sem muito esforço, e começo a observar o interior. As cores claras, em tons bege e marrom, dão um ar de limpeza, classe e espaço na cabine. Os materiais empregados são de suportável qualidade, porém a textura do plástico do painel é rígida demais, para os padrões de um carro que custa 160 mil reais. E a montagem poderia ser um pouco mais aguçada. No painel, os apliques plásticos imitando madeira estavam desalinhados. Os bancos em couro são ergonômicos e macios, e apóiam muito bem o corpo. O painel de instrumentos possui a tecnologia Optitron, que, por meio de LEDs, garante visão clara dos gráficos, a qualquer hora do dia e da noite. Na ignição, há um círculo luminoso, indicando onde se põe a chave.

Apliques imitando madeira. Cabine imitando luxo.

O sistema de som é totalmente integrado ao console, e tem comandos no volante, mas possui desenho já defasado. O ar-condicionado digital fica logo embaixo, no entanto, possui apenas uma zona de ajuste de temperatura. Em contrapartida, há, no teto, saídas de ar para a segunda e terceira fileiras de bancos, o que é muito bom, prático e eficiente. No topo do console central, está a pequena tela do computador de bordo, que, entre outras funções, possui bússola e relógio. Há espaço de sobra para pernas, cabeça e ombros, tanto na frente, quanto atrás, com exceção para a última fila de assentos, onde pessoas com mais de 1,80 metro de altura sentirão-se apertados. O acesso é até fácil, comparável aos carros de três portas. Sentado, raspei a cabeça no teto, mas, como o encosto é regulável em inclinação, bastou recliná-lo para solucionar o problema. Porém, minhas pernas ficaram enclausuradas. Para recolher os bancos, basta levantá-los para os lados, o que não é nada inteligente, pois nos SUVs mais recentes, eles se encaixam no piso do porta-malas, livrando espaço. Ainda, com o carro em movimento, ouve-se um chato rangido de couro, devido aos movimentos da carroceria, e os respectivos ruídos do atrito dos bancos rebatidos. Para sair do aperto, puxa-se uma cordinha, que fica atrás dos assentos da segunda fila. Uma solução simples e prática, porém nada sofisticada.

O isolamento acústico da cabine é exemplar. Não há ruídos de arrasto aerodinâmico e o rodar é isolador. Contudo, por ser um veículo construído sobre um chassi (e não em monobloco), e pela suspensão macia, a SW4 não fica firme ao fazer curvas mais fechadas e ao passar sobre quebra-molas e desníveis. Longas viagens, para pessoas que enjoam fácil, podem ser um verdadeiro martírio de vômitos.

A segurança é outro atributo em relativo destaque, neste utilitário. Em primeiro lugar, por ser, propriamente, um utilitário: mais alto, maior e mais pesado do que os carros de passeio comuns, e, portanto, mais robusto. Os freios têm sistema ABS com LSPV (que distribui a força de frenagem dependendo da condição de carga do veículo). Porém, oferece apenas dois airbags, e não há controle de tração.

Aqui, parafraseio a sabedoria de Jeremy Clarkson, apresentador do programa britânico Top Gear. Um SUV é o tipo de carro com elevado nível de “segurança passiva”, e baixo nível de “segurança ativa”. A primeira refere-se à capacidade do carro em proteger os ocupantes, DEPOIS de um acidente. E a segunda, está ligada à potencialidade do veículo em EVITAR um acidente. A Hilux, como todo SUV, não tem tanta estabilidade e capacidade de reação, quanto um carro normal, por ser mais pesada e alta, e também, infelizmente, por não oferecer sistema ESP ou controle de tração, o que desfavorece ainda mais a desenvoltura do utilitário. Mas, caso um acidente aconteça, ela protegerá melhor seus ocupantes, do que um carro menor, embora não tenha airbags para todos os ocupantes, nem encosto de cabeça e cinto de três pontos para o 3° passageiro da 2ª fila.

O fato é que a Hilux, pelo preço que custa, bem que poderia oferecer mais dispositivos de segurança, inclusive os básicos. Seu acabamento também não é excepcional, e o design é incipiente. Há de se admitir que é um bom utilitário esportivo. Há boa qualidade de construção. Bom motor. Bom nível de conforto. Mas é esse o problema da Hilux: ela é boa. Não ótima. Nem excelente. Poderia, muito bem, custar menos.

Não é a última palavra em modernidade. Mas possui caráter.

A 4ª geração está para chegar. Mas a 3ª ainda é um show de carro.

VEREDICTO

O peso do nome Toyota valoriza mais a Hilux do que suas próprias qualidades. No geral, é um bom veículo para longas viagens em família, oferecendo um excelente espaço interno e versatilidade. No entanto, comparando-a com rivais como Mitsubishi Pajero Full e Land Rover Discovery, vemos que a SW4 carece de refinamento visual, mecânico e de acabamento, assim como peca no nível de equipamentos de segurança e conforto. Outra coisa que pesa contra é a falta de exclusividade. É só andar nas ruas e contar quantas SW4 estão em circulação. Bem mais que as rivais.

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Comments
5 Responses to “Nova Hilux SW4 4.0 V6”
  1. Ô loco, Eder!

    Não sabia que você era apaixonado por carros!

    Bacana o blog. Bom designe e textos informativos. Parabéns!

  2. afranio disse:

    meu irmão comprou uma hilux dessa por 160 mil reais e eu ando a pé pro trabalho todo dia, estou a 2 anos sem carro. Não sei quem é mais trouxa se eu ou ele. mas acho que sou eu, porque além de trouxa sou liso.

    afrânio

  3. felipe rondon disse:

    meu pai ja teve uma hilux e a melhor caminhonete que ja poderam eventar ela e invencivel..
    por isso que ela e um pouco carinha..

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